Poema sem Forma

Eu não escrevo com a cabeça,
Escrevo com o coração.
Não sei se uso metáforas,
Retóricas ou aliteração!

Brinco com as palavras,
Enfeito-as com papel de seda,
Pois não há brinquedos neste mundo,
Que aceitem viver num poema!

Gosto do som quando rima,
Gosto até quando não combina.
Pois tem sempre a minha paixão,
Escrevo sempre com o coração!

Até à vista minha irmã!

O vento bate frio e já não traz tua presença,
Já não oiço tua voz, nem sinto teu pelo macio,
Preferia que estivesses perto mesmo com indiferença,
Do que não saber por onde andas e sentir este vazio!

Sei que não fui o melhor que te poderia ter acontecido,
Sei que não te demonstrei o amor que em mim contenho,
Mas as lágrimas que em mim encerro,
Não vão acalmar meu coração enraivecido!

Sei que me vais esquecer,
Mas eu nunca esquecerei teus olhos brilhantes.
Tu tão pequenina no meu colo ao entardecer,
E muito menos tua alegria constante!

Sei que provavelmente não te voltarei a ver,
Sei que para mim serás apenas uma fotografia guardada,
Mas quero que saibas que nunca te irei esquecer,
E serás sempre por mim muito amada!

Sei que ainda pensas em mim,
Podem dizer o contrário mas eu sei que sim,
Mas agora chegou altura da partida, pois a vida é vã!
Vive feliz, até à vista minha amiga, minha irmã!

Sorrir… Chorar!

Sorrir… Chorar!
Passos a chocalhar pelo caminho…
E o tempo não pára!
Ninguém pára para eu esperar pelo destino…!

Sonhos… Eu acredito em sonhos…
Corro para os alcançar…
Mas estão tão longe que só me resta parar!
E sorrio… e choro…!

O tempo não pára para mim, nem para ti!
Olhas à volta a ver se alguém esperou,
Mas resta apenas o vazio,
Daquele que sozinho chorou!

Sentes o vazio da solidão,
Daquela que te mata quando ninguém vê!
Daquela que te faz chorar…
Quando por quem esperaste… foi em vão!

O riso e o choro estão tão próximos,
Caminham sempre de mão dada à beira mar,
São estes os que sempre me acompanham,
Quando quero rir… ou chorar!

Cruel

Sabes? Preferia não saber…
Saber que ainda pensas, saber que ainda respiras e que teu coração ainda bate!

Sabes? Preferia que pensasses que eu não existisse, que nada sinto e que nem sequer me movo… Destino cruel o nosso: tu não existes e eu não existo. Eu não te vejo e tu não me vês! Mas ambos sofremos. Eu não te vejo nem te sinto, mas sei que sofres! Imagino as tuas lágrimas a correrem pela face de algodão… Algodão… Algodão é para crianças e eu à muito que cresci! Sabias?

Sabes? Preferia não saber…
Saber que ainda falas e comentas e que os outros falam sobre ti… sobre mim… Preferia a inocência há muito perdida e há muito infeliz, do que agora a consciência da felicidade aos pulos e de que nada vale! A minha vida… a tua vida… continuam as duas paralelamente perpendiculares! Eu aqui… e tu… aí, talvez!

Será que sim? Ou será que mentiu? Teste de resistência ou traição? Crueldade empacotada e vendida em promoção nos expositores… Que adianta parar e olhar se nada vejo? Não adianta continuar a esperar, quando há muito o relógio avançou e o tempo não parou!

Sabes? Preferia não saber…
Preferia não conhecer ou julgar! Preferia não amar ou odiar! Preferia tu aí e eu aqui… duas rectas paralelas sem perpendicularidades. Mas o que é matematicamente impossível é dolorosamente real!

Prometes-te um dia… lembras-te das promessas? Cruéis… tão cruéis. As promessas não existem como tu não existes e nada disto é real!

Sabes? Preferia não sonhar…
… A sonhar com precedentes. Sonhar com a mágoa de não te encontrar, por não existires! Por dolorosamente não existires a não ser em mim! Agora já não vale caminhar pelo vale perdido e há muito esquecido, resta-me caminhar com os pés sobre os pregos da calçada e aguardar que renasças das cinzas para que me desmorone outra vez e volte a perder tudo!

És cruel!

Delírio

Sorrir. Chorar.
Amar. Odiar.
Beijar. Sofrer.
Compreender. Não compreender.
Acreditar. Estupidez de acreditar.
Sofrer! Sofrer muito!

Tudo é efémero e constante. Inconstante!
Tudo é incertamente certo!
Verdade. Mentira.

A verdade da mentira é que ela é doce, sempre amargamente doce. Amada, desejada, esperada! Mas sempre amargamente doce. Vale mais a mentira que a verdade, toda a gente a adora, toda a gente a venera e espera. Espera sempre! Espera… até ao dia que a longa espera passe e a verdade a alcance!

Verdade… Sofrida a verdade! Largas horas de sofrimento, tão certo e incerto a cada pensamento!

Que sei eu da verdade? Que sabes tu?
Verdade é apenas o indesejado! Tudo o que é indesejado é verdadeiro! Tudo o que é terrificamente mau é verdadeiro! Tudo o que faz sofrer é verdadeiro! Tudo o que faz doer é verdadeiro! E eu? O que sou eu? No que penso eu? Que digo eu?

Mentira…

Ainda me Lembro

Lembro-me do teu sorriso enquanto me olhavas,
Do teu ternurento olhar enquanto me tocavas!
Das lágrimas que sempre me provocaste,
Da mágoa e dor que me experimentaste!

Das palavras confusas e do constrangedor olhar,
Do maravilhoso e surpreendedor palpitar!
Da partida sentida, do olhar magoado
E do teu irritante sorriso consternado!

Lembro-me ainda de tontas palavras,
Do quão bela me fazias sentir!
Das traições que por te amar enfrentava,
E do perigo em que me deixavas cair!

Parece inacabada a nossa trágica história,
E tantos anos passaram desde então,
Mas infelizmente não me sai da memória,
As imagens que me amarfanharam o coração!

Infelizmente a lembrança é excessiva,
Mas a dor de te lembrar é ainda maior.
Por vezes pergunto-me se alguma vez sentiste,
O meu coração latente de dor…

O Teatro – Duas visões, um só momento (Parte II)

Visão do Artista

As Luzes ligam-se e o pano sobe,
O fervente sangue rodopia em círculos,
Impedindo o pensamento e a coerência.

Treme. Amedronta-se. Chora.
Nada é certo e real.
Tudo é relativo e inconstante.
Mordaz!

Sufoca.
O ar deixa de entrar vorazmente,
Criando uma sensação de dor e de desmaio.

Loucura.
Demência.
Tudo deixa de fazer sentido.

Agarra-se ao seu cheiro incandescente,
– Para tentar recordar-se de quem é -
E deixa-se desligar…
Na esperança de voltar a ser racional!

… E volta a dolorosa sensação de prazer súbito,
Como se outra sensação não conhecesse!
Sensação mágica. Inexplicavelmente mágica!

… E ferve novamente o sangue,
Apuram-se novamente os sentidos.
Entra de rompante para o palco
E brilha como um sorriso de criança!

Porém o jovem artista sofre e enlouquece,
Tudo o que decorara outrora, desaparece…
Desesperado decide improvisar,
Os seguintes versos que diz a chorar.

“Já não sei rimar!
Os meus dedos perderam a voz e o talento!
Nem em verso sei chorar, já…
Nem transformar palavras em sentimento!”

Entre soluços continua:

“Tudo da minha mente se apagou,
As deixas… os passos…
O medo, do meu corpo se apoderou…
Restando apenas estes meros versos!

O palco é a minha vida,
As deixas o meu respirar,
E quando as cortinas se fecham,
Chega-me a faltar o ar!”

Após a emotiva declamação,
Deixa o palco a correr,
Baixando o olhar envergonhado.
Até o pano finalmente o esconder.

Sofre. Rebenta de Raiva.
Amolece… e Chora!

Julga sua vida de actor terminada,
Julga não ter honrado sua avó tão amada,
Não tendo proferido os versos por ela criados,
Por ela tantas vezes pronunciados!

Loucura.
Demência.
Tudo deixa de fazer sentido, novamente.

De repente, por detrás do pano,
Ouve uma ovação em sua homenagem,
O público toda em pé a aplaudi-lo,
Pensando que encarnou bem a personagem.

As Luzes ligam-se e o pano sobe novamente,
E o jovem actor sentindo-se amado, alegremente
Sobe para o palco com o sorriso de criança,
Desejando que aquela sensação nunca mais desapareça.

Visão do Público

O Público, não percebendo o engano,
Adorou a actuação,
Levantando-se com toda a ostentação.

“Palmas para o artista! Palmas!”